Como se personaliza um conto sem prometer magia

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Se chegaste até aqui, provavelmente estás à procura de algo que ajude com um momento concreto em casa. A hora do banho que acaba em choro. As peças que voam quando o irmão toca na torre. Aquele instante em que não sabes se abraçar ou pôr um limite. E percebes que um conto não é uma varinha mágica. Está bem. Nós também não acreditamos nisso. Neste artigo contamos-te, com calma e sem fumo, como se personaliza um conto da Tilo e porquê a personalização vai muito além de pôr o nome do teu pequeno na capa. Porque personalizar a sério significa olhar para o que o teu filho ou filha precisa, que habilidade pode ir praticando, e como podes acompanhar esse momento sem te enredares.

O que significa "personalizar" (e o que não significa)

Quando pensas num conto personalizado, talvez imagines o nome da criança, a cor favorita e pouco mais. Isso é bom e ajuda a que se reveja na história. Mas fica curto. A personalização que importa é a que parte do momento real que estais a viver. Não é a mesma coisa um pequeno a quem custa separar-se de manhã do que um que sofre a partilhar, ou um que se descontrola quando chega a hora de dormir. Cada situação tem um fundo diferente. Por isso o ponto de partida não é um dado decorativo, mas sim uma pergunta mais honesta: o que se passa em casa? A partir daí, o conto constrói-se à volta dessa cena concreta, com uma personagem que vive algo parecido ao que o teu filho ou filha vive.

Por baixo de cada conduta há uma necessidade

As crianças fazem o que podem com o que têm. Quando um pequeno atira as peças, grita ou se agarra à tua perna à porta da escola, não o faz para te irritar nem para te manipular. Faz o que pode com as ferramentas que tem nesse momento. Por baixo dessa conduta que te ultrapassa quase sempre há uma necessidade: sentir-se seguro, poder prever o que vem, ter algum controlo, sentir que continua ligado a ti mesmo quando lhe pões um limite. Personalizar um conto, para nós, começa mesmo ali. Antes de escrever nada, a história é pensada a partir da necessidade que está por baixo. Porque, se só olhamos para a conduta, mudamos a superfície. Se atendemos à necessidade, o conto faz sentido para o teu pequeno, não só para ti.

Um exemplo concreto

Imagina uma criança que grita cada vez que é preciso sair do parque. A leitura fácil seria "é caprichosa". A leitura útil é: custa-lhe fechar algo de que gosta e antecipar a mudança. Essa necessidade de antecipação é a que o conto vai trabalhar, com uma personagem que também vive essa transição difícil.

O conto treina uma habilidade, não corrige um comportamento

Aqui está a diferença que mais nos importa. Um conto da Tilo não procura que o teu pequeno "se porte bem". Procura que pratique uma habilidade concreta. Quanto mais ferramentas tem uma criança, menos precisa dessa conduta que te esgota. Não porque a tenhas repreendido, mas porque tem uma maneira melhor de resolver o momento. Essa habilidade pode ser notar o corpo quando a raiva sobe, pedir uma vez com palavras, despedir-se sem ficar preso no medo, ou encontrar a calma com um gesto que pode repetir. No conto essa habilidade aparece encarnada numa personagem, com uma frase-ferramenta simples que se repete e que o teu pequeno pode fazer sua.

A frase-ferramenta

Em cada história há uma pequena frase ou gesto que a personagem usa quando as coisas se complicam. Não é um mantra mágico. É uma âncora concreta que, com prática e a partir da calma, o teu pequeno pode começar a usar no dia a dia. A emoção não desaparece: baixa um bocadinho. E isso já é aprender.

O conto tem dois destinatários: o teu pequeno e tu

Isto nem sempre se diz, por isso dizemos claramente: um conto personalizado não funciona sozinho se tu ficares de fora. Enquanto o teu filho ou filha desenvolve uma competência, o conto também te mostra a ti como acompanhar esse momento sem deitar mais lenha na fogueira. Na história costuma haver um adulto que modela algo muito concreto: põe um limite com uma ação, não com um sermão; valida o que a criança sente; e fica por perto para co-regular. Um limite é uma ação, não um discurso. "Vou, pego no objeto e tiro-o", em vez de dez frases a explicar porquê. Ver isso num conto, lido em voz alta, dá-te um guião para quando chegar o momento real. Não para o fazeres perfeito. Para te sentires menos perdido.

O como do momento, em três passos

Proteger com um limite-ação, validar a emoção sem a minimizar, e ficar por perto para regular juntos. Não é uma receita infalível nem promete calma imediata. É uma forma de estar que podes praticar tu também, e que o conto te ajuda a ensaiar sem pressão.

Porque não prometemos magia (e porque isso é bom)

Seria fácil dizer-te que este conto fará com que o teu pequeno deixe de ter birras ou durma sozinho esta noite. Seria fácil, e seria mentira. As aprendizagens de regulação emocional e de competências sociais levam tempo. Constroem-se com repetição, a partir da calma, e no vínculo contigo. Um conto é uma ferramenta valiosa dentro disso, não um atalho que o resolve. O que sim podes esperar é um recurso pensado com rigor, apoiado na psicologia do desenvolvimento, que vos dá uma linguagem comum e um momento tranquilo para praticarem algo difícil sem a tensão do conflito real. A honestidade é a nossa marca: a emoção baixa um bocadinho, e sobre isso constrói-se o resto.

Por onde seguir se quiseres saber mais

Se ficaste com dúvidas concretas (como funciona o processo, que informação precisamos, em que momentos ajuda um conto assim), tens as respostas reunidas num só sítio. E se o que te interessa é o fundo, como pensamos a parentalidade e porque construímos os contos desta maneira, podes conhecer a abordagem completa com calma. Não precisas de decidir agora. Vê o que precisares, ao teu ritmo.

Recursos relacionados

Resolve as tuas dúvidas sobre como funciona o conto personalizado (/pt/preguntas/) Conhece a abordagem e a metodologia por trás de cada conto (/pt/metodologia/)

Perguntas frequentes

Personalizar o conto é só pôr o nome do meu filho?

Não. O nome ajuda a que se reveja, mas o que verdadeiramente personalizamos é o momento e a necessidade que está por baixo. A história é construída à volta da situação concreta que viveis em casa e da habilidade que o teu pequeno pode ir praticando.

Que informação precisam para personalizar o conto?

Sobretudo, qual é o momento que vos está a custar: a separação, a partilha, a hora de dormir, as transições. A partir daí pensamos que necessidade está por baixo e que habilidade convém trabalhar. Os detalhes do pequeno ajudam a que se sinta protagonista.

O conto fará com que o meu filho deixe de ter birras?

Não prometemos isso, porque não seria honesto. A regulação emocional aprende-se com tempo, repetição e vínculo. O conto vos dá uma linguagem comum e uma forma tranquila de praticar. A emoção não desaparece: com o tempo baixa um pouco, e isso já é avançar.

Serve também para mim como mãe ou pai?

Sim. O conto tem destinatário duplo. Enquanto o teu pequeno desenvolve uma habilidade, tu vês como acompanhar o momento: pôr um limite com uma ação, validar sem minimizar e ficar por perto para regular juntos. É um guião que podes ensaiar sem pressão.

Em que se apoia a abordagem dos contos?

Na psicologia do desenvolvimento e num enquadramento de parentalidade respeitosa centrado em competências: por baixo de cada conduta há uma necessidade, e a mudança chega dando habilidades, não reprimindo comportamentos. Podes ver a abordagem completa na secção de metodologia.

E se o momento que vivemos parece mais sério?

Um conto é um apoio, não um tratamento. Se notares que a situação vos ultrapassa de forma continuada ou te preocupa o bem-estar do teu pequeno, o mais cuidadoso é consultá-lo com o teu pediatra ou com um profissional que vos possa acompanhar de perto.